
Autor: Dilma Bernardes – Diretora de Jornalismo Contexto Mídia
Oscar Schimidt e Anitta. A diferença não apenas entre as gerações ou profissões, mas em estilos e posturas, mas algo me chamou a atenção em ambos e, momentaneamente, os vi repassando a mesma mensagem com atitudes que tiveram. A de como o auto-conhecimento te deixa seguro para seguir em frente e escolher caminhos que não importam se resultam em mais ou menos sucesso, mais ou menos dinheiro ou mais ou menos arrependimento.
Vou começar pelo Mão Santa, que preferia corrigir dizendo que o seu resultado era por exaustivos treinos. Em sua partida desse plano, a recapitulação de sua biografia trouxe a recusa dele em fazer parte da NBA, a nata, como se diz, do basquete mundial. Oscar preferiu seguir representando o Brasil, elevando nosso país, como ninguém, a também ser uma potência na modalidade. Ele disse não, sabendo, optando, conhecendo-se. Preferiu ser bom, no seu país de origem.
Anitta. Abra mão aqui se você a critica por seu estilo. A artista lançou o álbum Equilibrium, onde traz muitas referências de sua crença em religiões afro-brasileiras e decretou em coletiva:
“Estou nesse momento de carreira em que não ligo se vai dar certo, se vai ter ‘views’, números, se vai ficar internacional…”. Ela impôs o que acredita, o lugar que quer ocupar e convida à liberdade de escolha. Quem tem ouvidos livres de preconceito pode acessar e entender a sua proposta, ou não. O fato é que aqui, de novo, é conhecer-se que faz a decisão, que traz a segurança. O alívio de enxergar como o seu propósito te encoraja para enfrentar os resultados.
Não é caminho linear, vem depois de muitas barreiras, incertezas,frustrações, mas sem jogar responsabilidade à ninguém, só a si mesmo. Diria até que é treino, e há uma infinita possiblidade de mentores que podem te inspirar ao auto-conhecimento. Mas não falo dessa moda, de ser mentorado inspiracional de frases para feed. Digo de saber quem você é quando uma decisão precisa ser tomada sem que ninguém veja. Quando é só você quem banca seu resultado e consequência, quando decide representar sua seleção com o que escolheu de valores para vida ou quando prefere o anonimato ao story com super views.
Nós que não somos nem Oscar nem Anitta precisamos lidar com nossas cestas e lançamentos diários. Habilidades que nos fazem jogadores na vida, sem palco, sem seguidores, muitas vezes. É mágico poder conhecer seu lugar, sorrir ao decidir o que ninguém espera, porque ficou mais confortável assim, porque você preferiu assim, sem ferir ninguém, no seu arremesso de três. A cesta pode ou não ser sua, mas a finalização é. Auto-confiança para tentar de novo.
